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Carta Semanal: inflação volta a assustar

Atualizado: 24 de ago. de 2021

Fort Capital



No texto de hoje trazemos os principais assuntos noticiados essa semana, como: as previsões econômicas para o ano de 2022, a PEC dos Precatórios, a Reforma do IR, a Crise Hídrica e a Volatilidade da Bolsa brasileira, com detalhes sobre cada assunto, além da opinião do nosso especialista Paulo Monfort. Se quiser ficar bem informado sobre cada assunto destacado, pode descer a tela que terá todas as informações que você precisa.

Boa leitura!



Projeção para inflação do país aumenta (Boletim FOCUS)


O boletim FOCUS é um relatório semanal, divulgado toda segunda-feira pelo Banco Central, onde traz as previsões para as principais variáveis econômicas do país. Ele é usado para os profissionais que acompanham o mercado financeiro/econômico. Ele tem grande relevância, pois através dessas análises são feitas as projeções sobre o futuro econômico do país.


Na última segunda-feira, dia 16/08, o Banco Central divulgou o Boletim Focus e pela 19 semana consecutiva houve aumento da projeção da inflação, reajustada para 7,05%. Este número é acima da meta estabelecida, de 3.50%.



Com isso o crescimento para o ano seguinte é reduzido. A estimativa é que em dezembro de 2022, os juros continuem altos e só comecem a estabilizar em 2023, conforme o gráfico abaixo:



Fonte: Boletim Focus BC


O COPOM (Comitê de Política Monetária) em sua última reunião, que aconteceu dia 4 de agosto, decidiu aumentar a taxa SELIC em um ponto percentual, passando de 4,25%, para 5,25%. A expectativa do mercado é que na próxima reunião, em outubro, aconteça um aumento da mesma magnitude e a taxa alcance a máxima de 6.25% a.a.


O COPOM (Comitê de Política Monetária) é um órgão do Banco Central, responsável por definir a taxa básica de juros do país, a SELIC. A cada 45 dias eles se reúnem para definir a SELIC, que tem como função principal manter a estabilidade econômica, controlar a inflação, manter o poder de compra da moeda e sustentar o sistema financeiro sólido e eficiente.


A inflação pressiona os juros a subirem e os juros altos diminuem o ritmo da retomada da economia, por isso a previsão de crescimento para o próximo ano está abaixo do esperado, expondo o risco fiscal.


Paulo Monfort, nosso Planejador Financeiro CFP® e Consultor CVM explica que a taxa SELIC é vista como o "remédio para conter a inflação". Sempre que a inflação sobe e foge da meta estabelecida pelo governo, sobe a taxa básica de juros e aumenta o custo do dinheiro no país, o que faz com que tenha menos dinheiro em circulação.


Nosso fundador explica que a inflação é um problema conhecido dos brasileiros e a alta recente deste indicador preocupa, sobretudo o investimento em renda variável, as ações e fundos imobiliários, que têm correlação negativa com a SELIC, ou seja, quando a SELIC sobe a bolsa cai e vice-versa.


Para todas estas questões o maior ganho para o investidor é a diversificação, ter um pouco de cada classe de ativos e evitar concentrações em um determinado ativo (ações, Renda Fixa, etc…)



O Relatório de Inflação, divulgado a cada trimestre pelo Banco Central, apresenta um cenário de incertezas para o ritmo de crescimento da economia.


Entre os fatores de risco estão: o surgimento e disseminação de novas variantes do Covid-19, dificuldade para obtenção de insumos e custos elevados em algumas cadeias produtivas; PEC dos precatórios; a reforma do Imposto de Renda, o novo auxílio Brasil; eventuais implicações da crise hídrica e a crise política interna.


Todos esses fatores em conjunto fazem do Brasil um país de grande instabilidade, principalmente política, trazendo volatilidade nos investimentos, principalmente na Bolsa brasileira, afastando empresas que poderiam investir no país e ajudar na retomada econômica.

Mais a frente explicaremos melhor o que é a PEC dos Precatórios, a Reforma do Imposto de Renda, a Crise Hídrica e a Volatilidade da Bolsa.



O impasse da PEC dos Precatórios


O Governo afirma que, caso a PEC dos precatórios não seja aceita, a máquina pública pode parar, além de dar espaço para o novo Auxílio Brasil, proposto pelo presidente Jair Bolsonaro.


O Auxílio Brasil irá substituir o Bolsa Família, que conforme a proposta encaminhada para aprovação no Congresso, visa aumentar o valor do auxílio em 50%, ou seja, R$ 378,00. É válido acrescentar que estamos em ano eleitoral.



A PEC visa compatibilizar os gastos do governo. No próximo ano, os precatórios terão que desembolsar cerca de R$8 bilhões de reais, o que consumiria todo o espaço aberto no teto de gastos.


O Tesouro Nacional diz que sem as mudanças propostas, os precatórios podem afetar as despesas da máquina pública, como a Saúde e Educação.


O Ministério da Economia apurou que, caso a PEC seja aprovada, a economia será de R$ 33,5 bilhões de reais em 2022.



O que é uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição):


A PEC é uma proposta com intuito de mudar partes de um texto constitucional, sem precisar convocar uma assembleia.


Somente o presidente da república, um terço dos deputados ou mais da metade da Assembleia Legislativa das Unidades Federativas, podem solicitar uma PEC.


Para ser aprovada, ela precisa ser discutida e aprovada em dois turnos em cada Casa do Congresso, e será aprovada se obtiver, na Câmara e no Senado, 308 votos dos deputados e 49 votos dos senadores.


O que são Precatórios:


Precatórios são dívidas da União, decididas através do judiciário, com pessoas físicas, jurídicas, estados e municípios, e devem ser pagas pelo Governo Federal, com previsão no Orçamento Anual.


O que a PEC dos precatórios prevê:


A PEC visa compatibilizar essas despesas com o teto de gastos definido pelo Governo.

Pela PEC os precatórios com valores acima de R$ 66 milhões, poderão ser pagos em 10 parcelas, sendo 15% à vista e o restante em parcelas anuais.


Outros precatórios poderão ser parcelados, caso o valor líquido seja acima de 2,6% da receita líquida da União.


Segundo o Governo, todos os precatórios abaixo de R$ 66 milhões de reais, ficam de fora da regra de parcelamento.


A PEC também muda o indexador dos precatórios devidos pela União, que hoje o índice usado depende da natureza do pagamento e pode ser corrigido tanto pela Selic, quanto pelo IPCA +. Pela proposta do governo, o novo indexador seria apenas a Selic.



Reforma do Imposto de Renda: imposto de 20% sobre a distribuição de lucros e dividendos de ações


As regras para a declaração do imposto de renda passarão por algumas mudanças, conforme o projeto de reforma tributária que tramita no Congresso.


O projeto tem tido pouca aderência no Congresso e algumas críticas de especialistas, que dizem que o texto foi pouco debatido e que não irá trazer grandes benefícios seja para pessoa física, seja para pessoa jurídica.


Empresários reclamam do aumento da carga tributária, estados e municípios se queixam da perda nos repasses que hoje eles têm direito.


Já os investidores não aprovaram a nova forma que o Governo propõe para tributar seus investimentos.


Mostraremos no texto o que pode mudar na sua vida, caso o projeto seja aprovado.


O que muda para pessoa física?


A faixa de isenção muda de R$1.950,00 para R$2.500,00, além da tabela progressiva que também muda o limite das faixas, conforme exemplo abaixo:




Declaração Simplificada


O projeto prevê limitar a declaração simplificada, que hoje pode ser opção para todos os contribuintes. O desconto hoje é de 20%, com limite de até R$ 16.754,34, para quem opta por esse modelo.


Com a mudança, o simplificado só poderá ser feito por contribuintes que ganham até R$ 40 mil reais anualmente, o que significa um salário mensal de R$ 3.333,00.



O que muda para pessoa jurídica?


O texto prevê alteração na alíquota geral do IRPJ dos atuais 15% para 6,5% em 2020 e 5,5% em 2023.


Também diminui a alíquota para o CSLL, de 1,5%, para grande parte das empresas, isso significa uma redução de 9%, para 7,5%, já a partir de 2022.


O projeto quer retirar a obrigatoriedade das empresas se enquadrarem no Lucro Real, que hoje é uma obrigação feita pelo governo a algumas empresas, como as de compra de direitos creditórios.


O texto quer extinguir a JCP (juros sobre capital próprio), sendo um meio utilizado por empresas para remunerar seus acionistas.


Os cortes de incentivos fiscais são para empresas como as dos setores da indústria farmacêutica, perfumaria e higiene pessoal. O fim desses incentivos pode gerar aumento do valor dos medicamentos, o que já vem sendo criticado por analistas.



O que muda nos investimentos?


A grande novidade é a taxação de 20% sobre dividendos. Apenas serão isentos os dividendos de empresas do Simples Nacional e do lucro presumido, que tenham faturamento de até R$ 4,8 milhões por ano. Esse valor não contempla empresas que estejam na bolsa, apenas empresas menores e pessoas que trabalham como pessoa jurídica.


Os Fundos Imobiliários ainda terão isenção de IR sobre os rendimentos.


Já os investimentos em Bolsa de Valores, terão isenção de IR de até R$ 20 mil reais por mês ou R$60 mil reais no trimestre. Com isso, a reforma pode compensar quem perdeu ou lucrou com as ações em 3 meses. O investidor poderá fazer o equilíbrio entre perda e ganho e pagar apenas o imposto desse saldo.


Crise Hídrica


Em 2001 vivemos momentos de tensão com a crise hídrica que tivemos, onde o risco de apagão no Brasil era iminente. Na época, além da falta de chuvas, havia a ausência de investimento e planejamento na geração e distribuição de energia elétrica.


Além dos problemas estruturais da área elétrica que o país enfrentava, havia também a falta de diversificação da matriz elétrica. Cerca de 90% da energia do Brasil vinha de hidroelétricas, ou seja, dependíamos muito dessa fonte. A vulnerabilidade aumentava quando aconteciam os períodos de seca, que são bem comuns.


Hoje, 20 anos depois, estamos passando por uma nova crise.


Em 90 anos nunca se viu uma escassez de chuva de tamanha magnitude. Esse alerta levantou preocupações sobre a possibilidade de faltar energia elétrica no país.


Após duas décadas o cenário é um pouco diferente, pois dependemos menos das usinas, houve investimentos em outras fontes de energia e aumentou a capacidade de produção dessas fontes.

Atualmente, cerca de 65% da energia vem das usinas hidroelétricas, já os outros 35% vem de fontes como: biomassa, eólica, gás natural, carvão e seus derivados, nuclear, petróleo e luz solar.



Fonte: https://infogram.com/matriz-energetica-brasileira-em-2020-1h8n6m305xwjj4x


Porque estamos passando por essa crise:


O Brasil é o maior país do planeta com potencial de fontes renováveis e mesmo assim, ainda depende muito das bacias hidrelétricas, porque não há uma maior diversificação na matriz, pois ainda se prefere usar essa fonte.


O Governo aumentou a bandeira tarifária vermelha para o patamar dois, o que significa um aumento de 52% na conta de energia elétrica. A ANEEL ainda avalia outro aumento na bandeira tarifária.

O Ministro da Economia afirma que não haverá racionamento, mas estão trabalhando para que não aconteça apagão.




Volatilidade devido à Instabilidade no cenário Político


É válido lembrar que a volatilidade faz parte dos investimentos de renda fixa principalmente, e se os fundamentos de investimento estão aplicados na sua carteira, como: perfil de investidor adequado, carteira diversificada de acordo com seus objetivos de curto, médio e longo prazo.


Porém, para os investidores que tem uma carteira de investimentos diversificada, não há motivos para se preocupar com os movimentos de alta e baixa da bolsa brasileira.

Fonte: Site comparador de fundos - https://investnews.com.br/comparador-fundos/