CDI não é estratégia: o custo invisível de não diversificar sua carteira
- Paulo Monfort, CFP®

- há 9 horas
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O CDI trouxe conforto ao investidor brasileiro por décadas.
Mas conforto não é sinônimo de proteção patrimonial.
Em um novo ciclo econômico, ficar preso ao CDI pode significar perder retorno real e aumentar riscos sem perceber.
Por que o CDI parece tão seguro
O CDI é uma taxa de referência do mercado interbancário e serve como base para diversos investimentos pós fixados, mas não é um investimento em si.
Ele tende a caminhar muito perto da Selic, o que reforça a sensação de previsibilidade quando os juros estão altos.
O problema é quando essa previsibilidade vira “plano de vida” do portfólio.
O que acontece quando o ciclo vira
Quando a Selic está elevada, a rentabilidade pós fixada costuma dominar e muitos investidores concluem que “não vale a pena” diversificar. Só que ciclos mudam.
A própria trajetória recente ilustra o ponto: a Selic chegou ao mínimo histórico de 2% em 2020 e depois voltou a subir a partir de 2021, alterando completamente o mapa de oportunidades e riscos.
No fim de 2025, o Copom manteve a Selic em 15% ao ano, mostrando como a taxa pode permanecer alta por um período e, ainda assim, mudar de direção depois.
O investidor que fica 100% dependente do CDI tende a sentir dois efeitos quando os juros caem:
O retorno nominal diminui e a sensação de “renda garantida” desaparece.
As melhores oportunidades costumam surgir em outras classes justamente quando o CDI perde protagonismo.
O risco silencioso da concentração em pós fixado
Concentrar no CDI parece conservador, mas cria três fragilidades típicas em carteiras de alta renda:
1) Retorno real limitado no longo prazo
O CDI ajuda a atravessar fases de juros altos, mas não foi desenhado para maximizar crescimento patrimonial ao longo de décadas. Patrimônio grande precisa equilibrar proteção e multiplicação, não apenas “carrego”.
2) Risco de reinvestimento
Quando a taxa cai, você precisa reinvestir em um ambiente pior, com menos prêmio, exatamente quando outras classes começam a ficar mais atrativas.
3) Ilusão de segurança via crédito privado
Muitos portfólios “CDI” estão, na prática, concentrados em fundos de crédito e debêntures. E esse é um ponto sensível: com a demanda muito forte em 2025, houve compressão de spreads e recorde de emissões, reduzindo a remuneração adicional pelo risco de crédito em várias estruturas.
Ou seja, parte do mercado tomou risco de crédito com prêmio menor do que parecia.
Diversificar não é “tomar risco”, é escolher riscos melhores
Na Fort Capital, diversificação não significa espalhar dinheiro aleatoriamente. Significa atribuir função a cada classe de ativo, para que o conjunto funcione em cenários diferentes.
Uma diversificação bem feita costuma combinar:
Renda fixa com inteligência de prazo
Separar o que é liquidez do que é objetivo de médio e longo prazo, em vez de colocar tudo no mesmo pós fixado.
Inflação como proteção patrimonial
Ter uma parte do portfólio orientada a preservar poder de compra no tempo, sem depender apenas do CDI.
Exposição internacional com propósito
Exterior não é sofisticação. Em muitos portfólios, é camada de proteção e descorrelação. Dependendo do caso, também é instrumento de renda em moeda forte e diluição de risco Brasil.
Renda variável como motor de crescimento de longo prazo
Para alta renda, o risco maior muitas vezes não é volatilidade no curto prazo, e sim não capturar crescimento ao longo de 10 a 20 anos.
Como a Fort Capital revisa uma carteira “presa no CDI”
Quando um cliente chega muito concentrado em CDI e crédito, o ajuste geralmente segue uma sequência objetiva:
Diagnóstico do portfólio real
Mapeamos concentração por emissor, liquidez, prazo, indexador, moeda e risco de crédito.
Definição de objetivos e tolerâncias
O que precisa estar líquido, o que pode oscilar, qual a meta real do patrimônio.
Construção por blocos
Liquidez, proteção, crescimento e oportunidades. Cada bloco com regra clara de alocação e rebalanceamento.
Governança
Rotina de revisão e critérios de decisão para evitar “trocas por impulso” quando o mercado muda.
Se você quer sair do piloto automático do CDI e estruturar uma carteira preparada para o próximo ciclo, agende uma conversa com a Fort Capital.
Paulo Monfort, CFP®
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