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ESG e o investidor do futuro

Atualizado: 5 de ago. de 2021



O COVID 19, mudanças climáticas e os escândalos de corrupção envolvendo grandes empresas são os gatilhos que levam os investidores a avaliarem cada vez mais o impacto social, ambiental e de governança corporativa nos últimos anos. Com isso o tema ESG tem ganhado popularidade no mercado financeiro, sendo amplamente discutido em eventos e até mesmo na mídia não especializada.


O que é ESG?


ESG é uma sigla em inglês para as palavras Environmental, social and governance, que em português significa Meio Ambiente, Responsabilidade social e governança corporativa. Resumidamente, significa que as empresas passam a ser avaliadas além dos seus aspectos financeiros, onde são considerados também valores morais e de alinhamento com a sociedade, que vão determinar a sustentabilidade do negócio.


Muitos veem o ESG como a forma como todas as transações financeiras serão realizadas no século XXI. Analisando cada pilar individualmente se torna possível ter um entendimento maior da proposta por trás deste movimento natural do mercado financeiro e seus principais desafios.


Environmental (Meio Anbiente) - Mudança climática, pegada de carbono, uso de recursos naturais, poluição e resíduos, Oportunidades Ambientais.


Desafios: Altas emissões de gases causam enfraquecimento da camada de ozônio, gerando aquecimento global


Social (Responsabilidade Social) - Diversidade & inclusão, compromisso com o bem-estar dos colaboradores, responsabilidade com o consumidor, relação com a comunidade.


Desafios: A falta de oportunidades iguais para todos gera exclusão e desigualdade social.


Governance (governança corporativa) - Transparência & divulgação de informações aos stakeholders, princípios éticos de gestão corporativa.


Desafios: Falta de visibilidade gera insegurança nos acionistas aumentando o risco de investimento na companhia.


Muito além do alinhamento moral


Diversas pesquisas afirmam que observar fatores ESG nos investimentos, além de trazer um ganho moral, também resulta em menor risco nos investimentos e consequentemente melhor retorno do portfólio. Isso se justifica por diversos fatores que vão desde o tratamento equitativo dos pequenos investidores como a melhora da imagem da companhia.


Um deles, é que as empresas que já têm políticas de ESG bem estabelecidas, estão mais bem preparadas para tendências que são inevitáveis agora e no futuro. Como leis que estão surgindo, como, por exemplo, a proibição do amianto, que quando foi votada e aprovada, colocou em cheque toda uma indústria, que logo em seguida deixou de existir.


Desta forma podemos dizer que o cuidado com fatores sociais também traz um ganho para as empresas, por antecipar mudanças futuras que poderiam comprometer o negócio e gerar perda permanente de capital. Sendo assim, ao investir nestas empresas, o seu risco é muito menor do que as que não tem este cuidado.


As pessoas querem marcas que se posicionem


Cada vez mais as pessoas estão cobrando um posicionamento concreto das empresas quanto a fatores sociais e ambientais. Recentemente nos Estados Unidos, muitas marcas foram cobradas e sofreram impactos severos por não se posicionarem na luta contra o racismo.


No Brasil não é diferente. Algumas empresas que se posicionaram contra as medidas de isolamento social e de preservação de seus funcionários sentiram nas vendas e na sua imagem os impactos dos clientes que estão cada vez mais conectados nas redes sociais.


Pode parecer que são fatores abstratos, mas de fato eles impactam nas vendas, no risco jurídico das corporações. No Valuation (avaliação das empresas) levamos em consideração fatores intangíveis, como o valor de marca. Uma empresa que não está alinhada aos anseios do seu público irá perder a força de sua marca, consequentemente impactando o valor gerado para seus acionistas.


ESG é tendência global


No mundo, os primeiros fundos ESG são de 1970, e os índices e ratings de 1990. Termo cunhado há 16 anos. Ecossistema amplo e global. Embora seja um tema relativamente recente no Brasil, este já é um tema bastante forte no resto do mundo, onde nos EUA um quarto de todos os investimentos feitos são destinamos para algum tipo de produto socialmente responsável.


Digo relativamente jovem no Brasil porque o índice de sustentabilidade empresarial ISE, da bolsa, já existe desde 2005, e o primeiro fundo ESG do Brasil foi criado em 2001 pelo Banco Real, que foi o fundo Ethical.


De acordo com os especialistas este tema é de muita importância sobretudo para os países emergentes, que precisam captar recursos de investidores estrangeiros. Na Europa, onde o ESG já é mais que uma tendência, grande parte dos investimentos já são avaliados com as métricas sustentáveis, sendo a França o país com maior penetração deste tipo de aplicação.


Como investir?


Atualmente uma série de fundos estão surgindo em diversas corretoras. A Warren Brasil e a XP investimentos criaram seus fundos de ações especializados nestes produtos. E muito mais está para acontecer, segundo uma pesquisa realizada pela ANBIMA, atualmente, 85,4% dos gestores consideram o potencial impacto de questões ambientais, sociais e de governança corporativa em seu processo de investimento. Diversas assets estão de olho nos investidores que buscam cada vez mais investimentos responsáveis.


Além dos fundos de investimentos, também posso citar o próprio ISE, índice de sustentabilidade empresarial, como referência para empresas sustentáveis no país; além dos índices de carbono, entre outros. O fato é que não existe um carimbo onde possamos marcar as empresas como ESG e não ESG, os fatores devem ser acompanhados constantemente e os investidores podem cobrar esse posicionamento.



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